Sobre o enfrentamento da violência contra a mulher – uma mirada para a produção no Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPsi) da Furg

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Em alusão à Lei Maria da Penha, Lei nº 11.340/2006), agosto configura-se como o mês para conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. Como forma de preparação para as atividades deste ano, organizamos materiais produzidos no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Psicologia, o PPGPsi, da Furg, na intenção de contribuir para o debate público, divulgação científica e possibilitar condições para organizar ações de enfrentamento coletivo.

 No ano que inicia o PPGPsi, temos uma primeira publicação de duas docentes do curso de psicologia e do psicólogo lotado atualmente na Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE), respectivamente, Profa. Simone Paludo, Profa. Marilene Zimmer e Mikael Corrêa. Nesse artigo o objetivo foi investigar aspectos cognitivos capazes de dificultar o rompimento do ciclo de violência por parte da vítima e, após investigação, as/o autoras concluem que os resultados podem auxiliar os “demais profissionais que atuam nas redes de apoio à violência contra a mulher (e.g., policiais, delegadas, assistentes sociais, entre outros) busquem compreender esse fenômeno a partir de uma visão ampla, considerando as dificuldades pessoais das mulheres perante essas violações” (Barbosa et al. 2019, p. 64).

No ano de 2021, em período pandêmico, foram publicadas outras três produções, todas sob a orientação da Profa. Simone Paludo, que coordena o CEP-Rua-Furg. A primeira delas, sob a forma de capítulo de livro (Capa do livro[1] em imagem), intitulado “A violência contra a mulher na perspectiva bioecológica”, derivado da pesquisa da pesquisadora Sylvia Barum, que defendeu sua dissertação “Mitos e crenças esteriotipadas de estupro entre estudantes universitários: ainda existem?”. Sylvia é da primeira turma de discentes do PPGPsi.

Também sob a orientação da Profa. Simone, Diênifer Kaus Silveira, publicou junto a outras colegas, incluindo a graduanda em psicologia e também servidora Técnico-Administrativa em Educação (TAE), Helen Sibelle Nogueira Gonçalves, dois artigos derivados da atuação e pesquisa na Política nacional de assistência social (PNAS): “Grupo de acompanhamento psicossocial para mulheres que vivenciaram violência: relato de estágio no Creas” e Fluxo de atendimento à mulheres em situação de violência: caminhos e perdas”. Cabe destacar que nesse momento, a profa. Simone orienta o trabalho da mestranda Vithoria Garcia Lima, intitulado “Experiências adversas na infância e a associação com relacionamento abusivo na vida adulta de mulheres autistas”.

As mestrandas Clarice Gonçalves Pires Marques e Claudia Mara Amaral da Silveira estão em etapa conclusiva de suas pesquisas, sob a orientação das professoras Airi Macias Sacco e Geruza Tavares D’Avila. A pesquisa de Clarice trata da violência contra as mulheres negras, uma vez que são as principais vítimas de feminicídio no Brasil. Já a mestranda Claudia Mara realiza suas Escrevivências a partir do Quilombo Macanudos em que as mulheres têm lugar destacado, em especial, quanto ao enfrentamento de várias formas de violência, como o racismo e o machismo. Uma semana antes da qualificação de Claudia, com pesquisa pautada nas obras da profa. Conceição Evaristo, registramos sua aula como estagiária de docência em uma disciplina da graduação, apresentando, entre outras produções, o Memorial Macanudos. Abaixo, nossa foto junto à turma (pela acadêmica Yasmim Shehadeh).

Cabe destacar as campanhas e editais que subsidiam a realização de pesquisas nessa linha, como por exemplo, o Edital PIBPG CNPq ciclo 2027 (Chamada Pública CNPq 7/2026), que em seu sétimo artigo, contempla: “7.1.4. As Instituições que comprovarem atuação contínua e estruturada em pesquisa, formação acadêmica e produção técnico-científica relacionadas ao enfrentamento ao feminicídio e à violência doméstica e familiar contra as mulheres poderão receber bônus sobre a pontuação final da proposta, conforme avaliação do Comitê Julgado”. Assim sendo, esperamos que mais pesquisadoras/es possam alinhar seus estudos para o enfrentamento ao feminicídio e à violência doméstica e familiar contra as mulheres, considerando que é uma luta de todas as pessoas.

 

Referências

 BARBOSA, T. P. ; CORREA, M. A. ; ZIMMER, M. ; PALUDO, S. S. . Domínios Esquemáticos Apresentados por Mulheres em Situação de Violência Conjugal. Revista de Psicologia da IMED , v. 11, p. 51, 2019. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2175-

KAUS, D. ; BARBOSA, T. ; PALUDO,  S. Fluxo de atendimento à mulheres em situação de violência: caminhos e perdas. PSI UNISC , v. 5, p. 78-94, 2021. https://doi.org/10.17058/psiunisc.v5i2.16514

PALUDO, S. S. ; BARBOSA, T. P. ; BARUM, S. A violência contra a mulher na perspectiva bioecológica. In: Zamora, J. C.; Habgzang, L. F. (Org.). Contribuições da Psicologia para Enfrentamento à Violência contra Mulheres: aportes teóricos e práticos. 1ed.São Paulo: Dialética, 2021, v. 1, p. 51-73.

SILVEIRA, D. K.; GONCALVES, H.;  PALUDO, S. Grupo de acompanhamento psicossocial para mulheres que vivenciaram violência: relato de estágio no Creas. Pesqui. prát. psicossociais [online], 2021, vol.16, n.4 [citado  2026-06-16], pp.1-17. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-89082021000400005&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1809-8908

[1] Fonte da imagem: https://loja.editoradialetica.com/humanidades/contribuicoes-da-psicologia-para-enfrentamento-a-violencia-contra-mulheres-aportes-teoricos-e-praticos?srsltid=AfmBOooh--yITlWbSKcTJODj8OuBOF6qsKvDR9w95UWMBXZAM6YLtDKO